Absorver, refletir e transformar

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Absorver, refletir e transformar

É muito comum ouvirmos a frase “aquela criança é uma esponja” quando se fala de alguma criança que absorve conhecimento rapidamente. Na realidade somos todos esponjas e estamos o tempo inteiro absorvendo tudo ao nosso redor, porém nem sempre estamos focando nossa atenção no que vale a pena absorver.
É possível fazer hoje, um passeio inteiro, atravessar um continente de trem, sem jamais olhar pra fora da janela, sem jamais tirar o olho do aparelho mobile. Não estou dizendo que o aparelho mobile é uma coisa ruim, mas estou apenas demonstrando como é fácil perder de observar a beleza natural do mundo, como é fácil perder aquele momento único, que neste caso é a viagem e toda a vista que ela proporciona, para ficar consumindo conteúdo digital que provavelmente estaria lá, disponível, no mesmo local, após a viagem.
Vemos isso acontecer até mesmo durante jantares, casais sentados em uma mesa, em um restaurante caro, ambos distraídos com seus aparelhos mobile, conversando com outras pessoas que não estão ali, e deixando de lado a oportunidade de dar 100% de sua atenção para a delícia da própria comida, para beleza do ambiente e para a pessoa a sua frente ou do seu lado.

Absorver

A mente humana é inquieta, e estudos já demonstraram inclusive o quanto é torturante deixar uma pessoa sem ter no que pensar, sem ter o que absorver. Ficam em um ambiente de pura reclusão, é sem dúvidas o pior castigo que uma mente pode ter.
Por outro lado, por causa da forma como a sociedade  se moldou, existe uma grande variedade de impulsos que são gerados, criados e engenhosamente elaborados para cativar e capturar sua atenção. Sejam seriados enlatados, noticiários catastróficos, roupas que estão na promoção, enfim, tudo que existe em grande parte implora por atenção, principalmente no mundo comercial onde cada segundo de atenção converte em dados. Até mesmo o fato de você estar lendo por exemplo este texto, está contabilizando com o sucesso desta matéria, ou deste site, ou deste servidor, ou deste tipo de assunto. Em algum lugar, esta visualização está sendo contabilizada e agregada á algum algoritmo que talvez influencie na sua próxima pesquisa na internet.

O que absorvemos é importante. Muitas vezes precisamos treinar nossa atenção para focarmos em absorver coisas que nos nutrem, ao invés de coisas que nos drenam. Assim como aquela pessoa no trem, ou aquele casal que estava no restaurante caro, todos nós estamos absorvendo o tempo inteiro impulsos. Mas quais impulsos estamos conseguindo de fato controlar?
Quando tomamos um café preto pela manhã, estamos realmente saboreando aquele café? Estamos obtendo o máximo proveito daquele momento? Estamos sentindo e saboreando com plena atenção cada gole, a temperatura, o aroma, sentimos o liquido quente entrar em nosso organismo? Quanto de atenção damos de fato a tudo que absorvemos, inclusive do que estamos fisicamente absorvendo, do que estamos ingerindo? Conseguimos será saborear um grão de arroz, sentir ele em nossa boca, sentir seu sabor, compreender que está nos nutrindo? Que está se transformando em energia para nos mantermos vivos? Aquele grão de arroz tem toda uma história, pode até mesmo ter sido cultivado do outo lado do mundo, para virar nossa fonte de nutrição.
Da mesma forma, podemos dar importância ás pessoas, aos animais, á palavras, gestos, a paisagens, a ruas, a uma arvore, e todos seus galhos e folhas e flores, e texturas, e toda vida que existe nela, talvez pássaros, répteis pequenos, insetos… Se olharmos com atenção, em tudo, existe algo maior, algo mais incrível a ser revelado. Assim como um livro não se pode julgar pela capa, tudo que absorvemos do mundo pode ser absorvido de forma superficial ou profunda e a escolha é nossa.

 

Refletir

Refletir por si só é um termo muito interessante em sua aplicação no português. Por este motivo escolhi este termo para o título deste post. Tudo que fazemos tem um certo nível de reflexão, e a medida que nos aprofundamos em nossa reflexão, nos aprofundamos em nossa compreensão ou falta de compreensão sobre as coisas, as pessoas e o mundo.
Estar consciente não necessariamente significa saber tudo, mas as vezes também saber que não se sabe tudo.
O quanto de reflexão temos sobre o que existe em nossas vidas é importante. Principalmente se estamos usando nossa energia constantemente para evoluir nossa compreensão sobre nós mesmos e é ai que a palavra refletir tem muito valor para o que quero dizer aqui, pois quando estamos utilizando nossas energias em reflexão profunda sobre nós mesmos e sabendo saborear cada grão de arroz, isso também reflete em nossas ações. Assim como o espelho reflete nossa imagem, nossas ações refletem sobre o nosso grau de profundidade sobre nossa percepção de nós mesmos e da vida. Assim como nós refletimos através de nossas ações, também podemos perceber a forma que outras pessoas refletem sua existência. Umas realmente não estão nem ai, ou provavelmente não tiveram jamais algum tipo de instrução ou ajuda para compreenderem quanto profundo pode ser tudo e quanto pode se saborear cada momento estando com a atenção plena.

 

Transformar

A medida que conseguimos absorver o mundo ao nosso redor e nos nutrimos profundamente, nós começamos a refletir essa profundidade e isso por si só começa a transformar o que está em nossa volta. Isso por si só nos ajuda a transformar a nós mesmos e aos que estão ao nosso redor.
De fato, podemos mudar o mundo inteiro se aos poucos as pessoas forem todas percebendo como a vida é incrível e como podemos viver em harmonia plena. O processo é individual, mas é também algo que tem efeito dominó, pois o que é bom, e o que faz bem acaba sendo continuamente se propagando. De pessoa para pessoa, de geração em geração, de coração para coração de consciência para consciência.

A transformação que começa dentro de nós, a partir da forma como absorvemos o mundo, como refletimos sobre este mundo e nós mesmos, pode acabar indo muito além do que podemos imaginar e do que podemos compreender.
Mas tudo tem o seu primeiro passo, e dar este passo depende sempre só de nós.

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Autor(a):

Ricardo Cury é desenvolvedor de soluções para Internet, desenvolvedor de websites, estratégias de comunicação digital, fotógrafo e vídeomaker. Atua com arte e Internet desde 1998.

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